Os cetáceos dependem fundamentalmente do som para interagir com o seu ambiente. Os sinais acústicos dos cetáceos são produzidos por diferentes estruturas anatómicas, dependendo do grupo taxonómico e do tipo de som emitido, e são cruciais para comportamentos como a navegação, a procura de alimento, a reprodução e as interacções sociais. Estes sinais variam entre cliques ou chamamentos curtos e discretos e sequências prolongadas que podem durar horas. Como o som desempenha um papel tão central na vida dos cetáceos, os dados acústicos passivos constituem também um instrumento poderoso para estudar a sua ecologia. As gravações acústicas podem ser utilizadas para detectar a presença de espécies, distinguir entre espécies e, em alguns casos, populações ou indivíduos, e para inferir padrões espaciais quando a distância da fonte pode ser estimada a partir dos sinais gravados. Dependendo da espécie ou do grupo taxonómico, os sons dos cetáceos variam substancialmente em frequência, intensidade, duração e padrão temporal. Os sinais de alta frequência são típicos de muitas baleias dentadas, incluindo golfinhos, botos, e baleias-de-bico, especialmente para a ecolocalização. Em contraste, os sons de frequência muito baixa, frequentemente próximos ou abaixo do limite inferior da audição humana, são produzidos principalmente por baleias de barbas, algumas das quais geram sequências de chamados longas e repetitivas.

Em torno do arquipélago da Madeira, a diversidade de cetáceos é elevada, com cerca de 30 espécies registadas, a maioria das quais odontocetos com padrões distintos de utilização do habitat e de ocorrência (Alves et al. 2018; Freitas et al. 2025, 2012). Várias espécies que suscitam preocupações de conservação ocorrem nestas águas, incluindo espécies actualmente listadas pela União Internacional para a Conservação da Natureza como ameaçadas ou noutras categorias de risco, tais como Criticamente em Perigo, Em Perigo, Vulnerável, Quase Ameaçado e Dados Insuficientes (Fernandez et al. 2021). Entre as espécies mais frequentemente avistadas encontram-se o golfinho-pintado-do-Atlântico (Stenella frontalis), o golfinho-comum-de-bico-curto (Delphinus delphis), o golfinho-roaz (Tursiops truncatus), a baleia-piloto-tropical (Globicephala macrorhynchus), e o cachalote (Physeter macrocephalus), com algumas espécies avistadas durante todo o ano e indícios de residência, enquanto outras exibem padrões sazonais vincados (Alves et al., 2013, 2018; Dinis et al., 2016; Ferreira et al., 2022; Fernandez et al., 2021).

Das 15 espécies de baleias de barbas actualmente reconhecidas em todo o mundo, seis foram registadas nas águas da Madeira (IWC, 2018). A baleia-de-Bryde (Balaenoptera edeni) é a baleia de barbas mais frequentemente avistada na Madeira e um dos cetáceos mais avistados em termos gerais, com um pico de ocorrência durante os meses de Verão e Outono (Alves et al., 2018).