Sismicidade
Embora os cabos DAS forneçam dados com apenas uma componente, os cabos submarinos permitem-nos aceder a áreas que anteriormente não podíamos monitorizar com estações sísmicas, a menos que fossem realizadas experiências com OBS (sismómetros de fundo oceânico) — extremamente dispendiosas. Além disso, o DAS fornece estes dados com uma densidade espacial sem precedentes. Graças a esta densidade, é possível reconhecer facilmente características que seriam muito difíceis ou mesmo impossíveis de observar com estações sísmicas isoladas.
Ondas T
Um registo de um evento local (gerado a leste das Ilhas Desertas, a menos de 50 km de distância do cabo) revelou não só as fases P e S esperadas, mas também uma fase T (ver figura abaixo). A fase T é gerada quando a energia sísmica é transmitida do solo para a coluna de água e ali mantida ao longo de distâncias por vezes muito grandes no canal SOFAR, um «vale» de baixa velocidade na água onde a energia acústica é canalizada. Normalmente, as fases T não são registadas tão perto do epicentro, pois requerem uma topografia do fundo marinho com características que só se costumam encontrar nas cristas oceânicas, muito longe de estações sísmicas.
Neste caso, devido à topografia em torno das pequenas ilhas entre o evento e o cabo, a energia sísmica pôde ser transmitida a partir das encostas das ilhas para a coluna de água e, daí, directamente para o cabo.


Figuras: (Em cima) Ondas T geradas nas Ilhas Desertas Islands por um sismo de magnitude M2.7 que ocorreu no dia 2023/10/27. (Abaixo) Ampliação de parte da figura.